ENTREVISTA

César Diogo, Presidente da Junta de Freguesia de Muge, fecha ciclo de entrevistas: “O ataque que o presente Governo fez às Freguesias tem prejudicado as pessoas, distanciando-as dos palcos das tomadas de decisões”

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Chegou ao fim o conjunto de quatro entrevistas aos Presidentes da Junta do concelho de Salvaterra de Magos. Nas últimas edições, revelaram ao Expresso da Lezíria os compromissos eleitorais cumpridos, aquilo que ainda está por fazer e as ânsias que preocupam os autarcas, nomeadamente no que diz respeito aos desafios que têm pela frente. César Diogo, em conversa com o jornal, analisa este já mais de um ano de atividade.

Expresso da Lezíria: Qual o balanço que faz deste primeiro ano de mandato?
César Diogo: O desafio em 2013 foi também um confronto com a história, após o 25 de Abril, ainda não tinha sido reeleito nenhum Presidente na Junta de Freguesia de Muge. A satisfação de poder ter continuado a ter a confiança dos Mugenses aumentou ainda mais a minha responsabilidade.
O balanço para já deste primeiro mandato é bastante positivo. Temos continuado a regularizar a enorme dívida que herdamos à ADSE, conseguimos adquirir uma viatura que nos fazia bastante falta, já adquirimos à Casa Cadaval (a parte que faltava do celeiro para fazer o estaleiro), estamos a conseguir trazer a instalação de algumas empresas nos lotes que ainda restam da zona industrial.
Com o apoio da Casa Cadaval, foi possível fazer uma justa homenagem a uma das pessoas que muito deu a Muge e esquecida até então: a colocação do busto da Sra. Condessa Graziela no jardim em frente à Junta. No entanto tivemos de tomar decisões difíceis, como foi o caso do abate, por razões fitossanitárias, dos pinheiros do Parque de Merendas, que finalmente este ano passou para a propriedade da Freguesia. Iremos em breve iniciar a reflorestação e a requalificação do Parque das Merendas, dando a dignidade que sempre teve.
Enfrentamos de consciência tranquila uma queixa judicial de autarcas do Bloco de Esquerda em relação às obras de requalificação do edifício da Junta de Freguesia, que ficará pronto durante o presente ano.
Estamos a preparar um conjunto de projetos que julgamos ser possível implementar até ao final do mandato.

EL: Quais as maiores prioridades futuras para Muge?
CD: Garantir o acesso de todas as pessoas aos serviços administrativos da Junta de Freguesia, concluindo as obras já referidas no edifício da Junta. Mas também a requalificação do Parque de Merendas com novo arranjo paisagístico, nomeadamente com a reflorestação com espécies autóctones. O reforço das respostas sociais em parceria com o Centro de Bem de Estar Social de Muge e através da criada Comissão Social de Freguesia, são três dos objetivos para 2015. Isto, claro está, mantendo em pleno todos os serviços públicos que a freguesia já presta à população.

EL: Quais são os principais problemas da freguesia?
CD: O principal problema da freguesia é a ausência de uma Unidade de Saúde a funcionar em pleno. Ao longo dos anos temos apresentado aos mais variados responsáveis políticos e da administração local, regional e nacional, a disponibilidade para assumir os custos de manutenção do edifício e as deslocações e alimentação de um médico à freguesia. Tenho esperança que com a vitória do PS nas Legislativas 2015 seja possível convencer os governantes e dirigentes regionais da importância da proximidade dos cuidados primários de saúde, uma vez que temos uma população envelhecida com dificuldades de mobilidade e não pode prevalecer uma visão economicista sobre a qualidade de vida que as pessoas merecem.

EL: Como descreve a relação estabelecida entre a Câmara e a Junta de Freguesia de Muge?
CD: A relação com a Câmara Municipal e o seu executivo é frontal, leal e solidária, um saudável confronto de ideias na defesa dos interesses coletivos das populações que já permitiu a resolução de vários problemas como o da propriedade do Parque de Merendas, o apoio na aquisição de uma viatura, permitiu a requalificação de um parque infantil e o orçamentado alcatroamento de três arruamentos na vila, que dão acesso por exemplo à creche. Acredito que até ao final do mandato encontraremos mais e melhores soluções para os problemas e prioridades da Freguesia.

EL: De que forma caracteriza a política de proximidade?
CD: A política de proximidade é na minha visão a mais importante de todas as formas de trabalhar em prol da população. Sou e sempre serei um defensor das Freguesias, uma das provas foi ter aceite o desafio de ser vice-coordenador da Delegação Distrital de Santarém da Associação Nacional de Freguesias. O ataque que o presente Governo fez às Freguesias tem prejudicado as pessoas, distanciando-as dos palcos das tomadas de decisões.
As Juntas de Freguesia nas pessoas dos autarcas de Freguesia, e mais em particular os Presidentes de Junta, são o primeiro recurso que qualquer cidadão tem, sempre que tem um problema, uma vez que é o primeiro elo de ligação ao Estado. O Estado é que se tem cada vez mais afastado das pessoas, um dos exemplos foi a extinção dos Governos Civis.
Um autarca tem de estar sempre disponível para as pessoas, nem sempre é fácil, ainda mais quando temos uma profissão e nos tempos livres somos autarcas.
É preciso ter gosto pela causa pública para ser autarca, ter uma dose q.b. de loucura para andar nesta vida sem ganhar nada em troca, quando seria tão fácil ficar sentado em casa à espera que outros fizessem o trabalho. Mas é gratificante quando se conseguem alcançar os objetivos que pretendemos e pelos quais lutamos.

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