Aurélio Lopes

O Lulu

p14-merkel_faena
O acordo alcançado pelo novo governo grego veio alterar o paradigma até aqui unívoco, face aos processos de recuperação económica europeia em curso nos países da periferia mediterrânea.
Provocando simultaneamente um sorriso amarelo naqueles executivos que arrasaram as suas populações em anos sucessivos de uma quase incomportável austeridade. Que não ficam, convenhamos, muito bem na fotografia.
Independentemente dos resultados a alcançar pelo gregos, num percurso naturalmente difícil, a anterior estratégia cega da austeridade a todo o custo (fazendo tábua rasa de direitos sociais duramente alcançados e lançando a miséria e a fome nas camadas mais vulneráveis da população) cede agora lugar a uma atitude que visa o desenvolvimento e crescimento económico e não pretende, de forma tão evidente, fazer regressar as sociedades à pré-história de uma economia mais ou menos desumana e imoral.
Em que as pessoas eram números; consubstanciados em índices de rendimento, fiscais ou de desemprego.
Foi esse sempre, aliás, o objetivo confesso deste governo.
Parente pobre das famílias politicas que governam a europa, sem força e prestígio para exigir um percurso alternativo que tivesse em conta as nossas especificidades, os nosso ministros comportam-se em Bruxelas como “meninos bem comportados”, subservientes a alemães e afins.
Às vezes, no desejo inconfessado de agradar aos mentores, sendo ainda mais papistas que o papa e expressando, convictamente, profissões de fé que outros mais experientes evitam assumir.
A começar aliás pelo primeiro-ministro que, Coelho de nome, mais parece, muitas vezes, o lulu da senhora Merkel, abanando o rabo de canina satisfação a qualquer afago com que esta o mimosei.
Esquecendo o povo que o elegeu e do qual supostamente é representante. Que continua sem emprego, sem apoio social, sem dinheiro, sem serviço de saúde. Sem esperança, quantas vezes. Sem dignidade, quantas mais.
Condições que contudo não seriam necessárias se os portugueses (pobres já se vê) tivessem, como foi devidamente sugerido pelo dito, emigrado mais. Muitos mais. Todos, afinal!
Eles que fossem ser pobres para outros países! Eis o que se pretendia alcançar com esta esclarecida estratégia governativa.
Resolvendo-se, assim, a quadratura do círculo da recuperação económica!
Desta e das outras!

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>